Consultoria

 Engeflor


Engenharia Florestal
.



Nossa consultora é a Engenheira Florestal 
Bruna Reducino Peres Ribeiro



"O eucalipto e a Embrapa: quatro décadas de pesquisa e desenvolvimento" (clique para baixar), livro lançado na solenidade de aniversário da Embrapa, faz um resgate das distintas linhas de pesquisa realizadas com o eucalipto, gênero mais utilizado em plantios florestais com fins produtivos no País. 

O livro, com mais de mil páginas, lançado no aniversário de 48 anos da Embrapa, traz os resultados de esforços conjuntos de 105 autores na descrição de conhecimentos e tecnologias para o setor florestal brasileiro. Os resultados destas pesquisas têm contribuído para colocar o Brasil como referência na silvicultura de eucalipto e evidenciam o retorno tecnológico gerado pela pesquisa científica para o uso sustentável da terra. 

Com edição técnica de Edilson Batista de Oliveira e José Elidney Pinto Júnior, pesquisadores da Embrapa Florestas, o livro reúne o trabalho de 21 Unidades da Embrapa e conta com texto de apresentação de Antônio Paulo Mendes Galvão, ex-chefe da Embrapa Florestas, e principal articulador da criação desta Unidade da Embrapa. Destaque para o prefácio de Alysson Paolinelli, um dos responsáveis pela criação da Embrapa, e por modernizar e expandir a empresa quando ocupou o cargo de Ministro da Agricultura, na década de 1970. Devido à relevância de sua trajetória para a segurança alimentar mundial, Paolinelli foi indicado para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz 2021. 

O livro reúne 35 capítulos com informações resultantes da pesquisa que se iniciou com o esforço conjunto multi-institucional e que possibilitou que a Embrapa Florestas, no início da década de 1980, buscasse sementes de eucaliptos e corímbias na Austrália e Indonésia, locais de origem do eucalipto, e renovasse, com uma rede inicial com aproximadamente 240 experimentos distribuídos em diversos estados do País, a base genética utilizada hoje em muitas plantações. Aborda, também, as tecnologias que possibilitaram a criação de um sistema de produção altamente inovador, que tornou o Brasil referência mundial em produtividade e silvicultura do eucalipto. 

Conforme destacado pelos editores, a alta produtividade da eucaliptocultura exigiu da própria pesquisa científica reavaliações sobre as questões ambientais. Uma demanda da sociedade, por exemplo, é relacionada aos tipos de impactos ambientais dos plantios de eucalipto em contraponto à sustentabilidade das plantações florestais. A ciência tem mostrado que tais impactos são pequenos em relação aos de outras culturas agrícolas, inclusive apontando diversos serviços ambientais proporcionados pelo cultivo do eucalipto.  Estes pontos são abordados no livro, que trata ainda de  genética, mudanças climáticas, uso do solo, nutrição, serviços ambientais, restauração florestal, geração de renda, abelhas, nanotecnologia, pragas e doenças, sementes, mudas, softwares, geração de energia, integração lavoura-pecuária-floresta, entre diversas informações e referências bibliográficas.

Presente em todos os biomas, o eucalipto possui grande transversalidade e importância para o agronegócio. “Cultivado em propriedades rurais familiares até grandes empresas, tanto em monocultivos como em sistemas integrados, o gênero se tornou o mais plantado no País, gerando milhões de empregos diretos, indiretos e resultantes do efeito-renda, e receita de bilhões de dólares. Diversos serviços ambientais são prestados, com destaque para a captura de gases de efeito estufa e para os vários serviços decorrentes dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, como conforto térmico para o gado, que têm mostrado aumento da rentabilidade econômica pela elevação da produtividade animal e pela produção de madeira. Fundamental é a sua importância na redução da pressão sobre florestas naturais, evitando desmatamentos para obtenção de matéria-prima, em especial madeira para múltiplas finalidades”, destacam os editores.

O livro foi editado em formato digital e está disponível para download gratuito.

Unidades da Embrapa que participam da publicação: Embrapa Acre, Embrapa Agrobiologia, Embrapa Agroenergia, Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Agrossilvipastoril, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Clima Temperado, Embrapa Florestas, Embrapa Gado de Corte, Embrapa Gado de Leite, Embrapa Informática Agropecuária, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Milho e Sorgo, Embrapa Pecuária Sudeste, Embrapa Pecuária Sul, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Embrapa Rondônia, Embrapa Semiárido e Embrapa Solos.

 

Manuela Bergamim (MTb 1951/ES)
Embrapa Florestas

Contatos para a imprensa

Katia Pichelli (MTb 3594/PR)
Embrapa Florestas

Contatos para a imprensa

Telefone: (41) 99977-5787

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Encontre mais notícias sobre:

livro,  eucalipto,  48-anos


O eucalipto e a Embrapa: quatro décadas de pesquisa e desenvolvimento.


Autoria: OLIVEIRA, E. B. dePINTO JUNIOR, J. E.

Resumo: A introdução do eucalipto no Brasil pela Embrapa: bases institucionais e sua estruturação para a pesquisa com eucaliptos e corímbias; Melhoramento genético e lançamento de cultivares; Genética: estratégias de melhoramento e métodos de seleção; Genômica aplicada à genética e melhoramento de Eucalyptus na Embrapa: 25 anos de avanços e as perspectivas para o futuro; Manuseio de pólen e produção de híbridos de Eucalyptus e Corymbia; Banco de sementes e a conservação de germoplasma de eucaliptos e corimbias pela Embrapa Florestas; Regiões mais favoráveis ao crescimento e produção de madeira de eucalipto na região Sul do Brasil; Mudanças do clima e a cultura do eucalipto; Contribuições das pesquisas com eucaliptos para a expansão de fronteiras das florestas plantadas brasileiras; A geografia de solos e suas interpretações para o cultivo do eucalipto no Brasil; Eucalipto: desafios para a pesquisa em nutrição, na ótica da sustentabilidade florestal; Aplicação de resíduos agropecuários, urbanos e industriais em plantios de eucalipto; Biochar e o eucalipto; Serviços ecossistêmicos e eucalipto; Eucalipto para restauração florestal com renda para propriedades rurais familiars; Eucaliptos e abelhas; A Embrapa no campo da nanotecnologia aplicada ao eucalipto; Óleos essenciais de espécies de eucaliptos; Pragas de eucaliptos; Pesquisas com doenças em eucalipto na Região sul do Brasil; Produção, tecnologia e uso das sementes de eucalipto no Brasil; Produção de mudas de eucalipto; SisEucalipto e SisILPF_Eucalipto: softwares para manejo de precisão de espécies de eucalipto em monocultivo e sistemas de integração lavoura pecuária-floresta (ILPF); CalcMadeira: Sistema para estimativa de peças de madeira roliça e serrada; A viabilização econômica da cultura do eucalipto; Florestas energéticas; Bioeste Florestas: Parceria voltada ao desenvolvimento de tecnologias para os segmentos de florestas energéticas e de integração lavoura-pecuária florestas (ILPF), no oeste do Paraná; Transferência de tecnologia para o sistema de produção de eucalipto; O eucalipto em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) na Amazônia; Sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) como alternativa para diversificação de renda no Semiárido brasileiro; O eucalipto em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) no Cerrado; O Eucalipto em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) na Mata Atlântica; O eucalipto em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) no Bioma Pampa; Potencialidades e desafios para o melhoramento genético de eucaliptos aos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); O eucalipto e os desafios para a transferência de tecnologias em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Ano de publicação: 2021


Cotações


Site em fase de criação.



Cotações:






 Engeflor


Engenharia Florestal


.

Espécies de pínus mais plantadas no Brasil

Espécies de pínus vem sendo cultivadas no Brasil há mais de um século para usos múltiplos. As primeiras introduções foram feitas com espécies de regiões com regimes de temperatura e precipitação contrastantes com as condições brasileiras, não tendo muito êxito. Os primeiros plantios com espécies subtropicais iniciaram por volta de 1936. Estes foram estabelecidos pelo Serviço Florestal do Estado de São Paulo, atual Instituto Florestal de São Paulo. Com o programa de incentivo fiscal ao "reflorestamento" em meados dos anos 1960, iniciaram-se os plantios comerciais sob regime de silvicultura intensiva nas regiões Sul e Sudeste. As espécies mais difundidas foram P. elliottii e P. taeda, introduzidas dos Estados Unidos e, em menor escala, P. caribaea e P. oocarpa. Naquele período, os povoamentos apresentavam baixa qualidade de fuste e produtividade de apenas 20 a 25 m3 ha-1ano-1. A partir dos anos 1970, iniciaram-se as experimentações com espécies tropicais como P. caribaeaP. oocarpaP. tecunumaniiP. maximinoi e P. patula, possibilitando a expansão da cultura de pínus em todo o Brasil, utilizando-se a espécie adequada para cada região ecológica.

No início da década de 1970, com a criação do Projeto de Desenvolvimento e Pesquisa Florestal (Prodepef) foram realizadas várias ações de pesquisa requeridas para gerar subsídios técnicos aos projetos de reflorestamento. A partir dos anos 1980, experimentos com amostras de várias procedências das espécies já conhecidas, bem como de espécies tropicais, possibilitaram a ampliação das opções de espécies e do potencial econômico desses pínus em plantios comerciais. Espécies como P. maximinoiP. tecunumanii, P. chiapensis e P. greggii poderão, em breve, ser incorporadas operacionalmente como produtoras de madeira, assim que estudos de produtividade e adaptação das diferentes procedências chegarem à maturidade e os povoamentos entrarem em fase de produção de sementes.

Para a identificação da maioria das espécies de pínus, são consideradas algumas características básicas, tais como: o número, a disposição, a forma e a coloração das acículas, a forma e a cor das sementes, o formato e o tipo de abertura dos cones, as características das resinas (quantidade exsudada, coloração, cristalização) e outras.

Pinus caribaea

Pinus caribaea compreende três variedades, de rápido crescimento e produtoras de madeira resinosa, de grande utilidade para o processamento mecânico. Em condições favoráveis ao rápido crescimento, as variedades hondurensis bahamensis apresentam alta frequência de árvores com crescimento anormal, denominado "fox-tail" (rabo-de-raposa). Esta anomalia é caracterizada pelo crescimento somente do eixo principal da árvore, coberto de acículas, sem a formação de ramos. A variedade caribaea se caracteriza pela frequência baixa ou nula de "fox-tail", além de apresentar ramificações finas, regulares e perpendiculares ao eixo do fuste. A variedade hondurensis é a mais plantada na região tropical brasileira (regiões Amazônica, Centro-Oeste, Central, Leste e Sudeste), abrangendo uma área de aproximadamente 700 mil hectares destinada à produção de madeira para processamento mecânico e extração de resina.

P. caribaea var. hondurensis ocorre na América Central, incluindo a Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e Belize, estendendo-se até a parte leste do México, em locais livres de geada, em altitudes desde o nível do mar até 700 m e, ocasionalmente, até 1.000 m, onde ocorrem precipitações pluviométricas médias anuais de 2.000 mm a 3.000 mm. As árvores, comumente, crescem em torno de 30 m de altura e 80 cm de DAP, podendo, eventualmente, atingir 45 m de altura e 135 cm de DAP. Geralmente, o tronco é reto e bem formado, não apresentando excesso de ramificações. No Brasil, os plantios devem ser restritos às regiões livres de geada, devendo-se escolher, cuidadosamente, as procedências originárias de altitudes correspondentes às dos locais de plantio. Esta espécie apresenta deformações quando ecótipos de baixa altitude são plantados em locais de altitude elevada.

P. caribaea var. hondurensis está entre os pínus tropicais mais plantados no mundo. Ela é recomendada em toda a região tropical brasileira, devido às suas características morfológicas e silviculturais. O plantio comercial com esta variedade tem expandido para as regiões Sudeste e Centro-Oeste e algumas áreas das regiões Norte e Nordeste, exceto no Semiárido. Sua madeira é de densidade moderada a baixa, mas de grande utilidade geral. Além disso, ela produz resina em quantidade viável para a exploração comercial.

A variedade bahamensis destaca-se como uma das mais importantes para a produção de madeira e resina na região Sudeste brasileira. Ela ocorre no arquipélago das Bahamas, nas ilhas Grand Bahamas, Andros, Abaco e New Providence. Essa é uma região de clima tropical (25 °C), sub-úmido (chuvas anuais de 700 mm a 1.300 mm), praticamente ao nível do mar (30 m), com solo de reação neutra a ligeiramente alcalina (pH 7,5 a 8,5). Ela tem sido introduzida em vários países e tem apresentado crescimento satisfatório, mesmo em solos de reação ácida, como também em locais de maior altitude, suportando, inclusive, geadas em regiões subtropicais. As condições ecológicas para o seu melhor desenvolvimento no Brasil são semelhantes às requeridas pela variedade hondurensis. Mas, em regiões de altitudes maiores que 700 m, apresentam melhor crescimento. O crescimento desta variedade é intermediário entre o de P. caribaea var. caribaea e o de P. elliottii. Sua madeira, por ser mais densa, é de melhor qualidade física e mecânica do que da variedade hondurensis. Um dos fatores que contribuem para a baixa difusão desta variedade, em plantios comerciais, é a baixa produção de sementes.

A variedade caribaea é nativa do oeste de Cuba, em Pinar del Rio e Isla de la Juventud, em altitudes de até 280 m, com inverno seco, temperatura média anual variando de 5 °C a 25 °C, precipitação pluviométrica média anual variando de 750 mm a 1.300 mm e solos ácidos (pH 4,5 a 6,0). Algumas de suas características são o fuste retilíneo e ramos finos, apesar de serem numerosos. Esta variedade, também é recomendada para a produção de madeira e resina, em regiões quentes. Assim como a variedade bahamensis, ela apresenta dificuldade para produzir sementes no Sudeste brasileiro. Testes de progênies desta espécie, no Brasil e na China, têm indicado base genética restrita.

As três variedades de Pinus caribaea podem ser plantadas em toda a região tropical brasileira, podendo se estender, inclusive, para a região Sul, desde que as geadas não sejam severas.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 1. P. caribaea var. hondurensis em Ibaiti, SP.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 2. P. caribaea var. bahamensis no litoral norte do Estado de Santa Catarina.

Pinus chiapensis

Pinus chiapensis apresenta madeira de coloração clara e de excelente qualidade para aplicações que não requerem alta resistência física. Sua densidade é baixa e uniforme no sentido medula-casca. Esta é a única espécie do grupo de "pínus brancos" que se adaptou bem no Brasil. Sua madeira é esbranquiçada, macia, de baixa densidade (gravidade específica entre 0,34 g/cm-3 e 0,36 g/cm-3) e tem grande valor para uso em acabamentos, marcenaria, confecção de embalagens finas e artesanatos.  

P. chiapensis é originária do México, ocorrendo em regiões com 150 m a 2.300 m de altitude e precipitações pluviométricas elevadas, variando de 1.300 mm até 3.000 mm anuais. Na fase inicial de estabelecimento, esta espécie tende a produzir fustes múltiplos e troncos com casca fina, muito suscetíveis aos danos mecânicos ou por fogo. Portanto, um trabalho de manejo é fundamental, inclusive raleio para deixar somente um fuste por planta, adotando-se as devidas medidas de proteção.

No Brasil, P. chiapensis tem apresentado bom desenvolvimento e alta produtividade de madeira na região central do Estado de São Paulo, na Zona da Mata de Minas Gerais e no norte do Paraná. No entanto, ainda não é plantado comercialmente devido, principalmente, à falta de sementes para operações em grande escala.

Foto: Ananda Vírginia de Aguiar

Figura 3. Cones de P. chiapensis.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 4. Povoamentos de P. chiapensis em Ventania, PR.

Pinus elliottii

Existem duas variedades de Pinus elliottii: a var. elliottii, que é típica e ocorre no sul dos Estados Unidos, onde é amplamente plantada para a produção de madeira destinada ao processamento mecânico, bem como para a produção de celulose, papel e extração de resina; e a var. densa. Esta variedade ocorre em área com temperaturas mais elevadas, em baixa altitude, restrita ao extremo sul do estado da Flórida, onde ocorrem chuvas estacionais, predominantemente no verão, com pequena deficiência hídrica no inverno e na primavera. Em comparação com a variedade típica, a variedade densa caracteriza-se pelo crescimento mais lento, acículas mais longas e densas, ramos mais grossos, madeira mais dura e densa (0,89 g/cm-3), casca mais grossa e cones menores. Além disso, esta variedade apresenta estágio de grama em sua fase de mudas, com raiz pivotante vigorosa e as árvores adultas com copa irregular. Devido à baixa produtividade de madeira, esta variedade não despertou interesse para plantios comerciais.

No Brasil, a var. elliottii dessa espécie é a mais plantada nas regiões Sul e Sudeste. Porém, em menor escala do que P. taeda, visto que sua madeira não é usada pelas indústrias de celulose e papel, e sim na produção de madeira para processamento mecânico e na extração de resina. Em comparação com P. taedaP. elliottii apresenta as seguintes características marcantes:

  • exsudação de resina mais abundante pelos cortes e ferimentos na madeira, ramos e acículas;
  • acículas mais densas, longas e de coloração mais escura;
  • cones pedunculados com escama sem espinho.

A produção brasileira de resina de P. elliottii, em grande parte, teve início no final dos anos 1970, tornando-se o maior produtor na América do Sul. Atualmente, o Brasil é o segundo país exportador de goma-resina, com uma produção em torno de 106.366 toneladas por ano. A produção anual média varia em torno de 2,0 kg em árvores sem melhoramento genético. Genótipos geneticamente melhorados mediante seleção de matrizes mais produtivas, a produção anual pode passar de 10,0 kg por árvore. Esta variedade cresce mais do que P. taeda em regiões de baixa altitude, como na planície costeira de toda a região Sul, desenvolvendo-se bem, mesmo em solos com lençol freático próximo à superfície.

P. elliottii var. elliottii ocorre naturalmente no Sul e Sudeste dos Estados Unidos, desde a planície costeira do sul da Carolina do Sul (33° 30´ N) até a região central da Flórida e, para oeste, até a Louisiana. O clima predominante na região de ocorrência natural caracteriza-se pelos verões chuvosos, com precipitação pluviométrica média anual em torno de 1.270 mm e temperatura média anual de 17 °C, ocorrendo, esporadicamente, temperaturas extremas de 18 °C até 41 °C. No Brasil, esta variedade requer clima fresco com inverno frio e disponibilidade de umidade constante durante o ano.

Ela é indicada para plantio em toda a região Sul e Sudeste do Brasil. No entanto, a atividade de extração de resina deverá ser restrita às regiões com períodos mais prolongados de temperaturas altas do que no planalto sul, para se obter maior rendimento. Por exemplo, nas planícies costeiras e nas áreas de transição para a região tropical (região de cerrado nos estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais). A região mais apropriada ao seu maior crescimento e produtividade de madeira avança até os Cerrados no sul do Estado de São Paulo, onde as altas temperaturas e a ocorrência de deficiência hídrica, em parte do ano, limitam o desenvolvimento de espécies como P. taeda.

De maneira geral, P. elliottii apresenta um incremento volumétrico menor do que P. taeda. Mas, a sua produção de madeira adulta inicia-se mais cedo, a partir dos sete a oito anos de idade, ao contrário de P. taeda, que começa com 12 a 15 anos. Esta característica apresenta um diferencial importante para a produção de madeira, destinada ao processamento mecânico, visto que a madeira de P. elliottii apresenta melhor qualidade física e mecânica do que a de P. taeda.

Fotos: Jarbas Yukio Shimizu

  

Figura 5 e Figura 6P. elliottii var. elliottii com 20 anos de idade, desbastado, em Colombo, PR.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 7. P. elliottii var. elliottii, acículas longas, densas e verde-escuras.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 8. P. elliottii var. elliottii – cone pedunculado e sem espinhos proeminentes nas escamas.

Pinus greggii

Pinus greggii é endêmico do México e ocorre em duas regiões: na parte norte do país, nos estados Nuevo Leon e Coahuila (latitude 24º a 25º N) e nos estados Puebla, San Luis Potosi, Hidalgo, Queretaro e Veracruz (20º a 21º N) na região Central. As populações do norte e do centro-leste são denominadas como população do norte e população do sul, respectivamente. Essas populações ocorrem em altitudes que variam de 1.250 m a 2.600 m, com precipitações pluviométricas médias anuais entre 650 mm a 1.600 mm. A temperatura mínima, em suas origens, na maioria das vezes, chega a -9 °C nos meses de inverno. As árvores da população do norte crescem 6 m a 15 m de altura e 22 cm a 40 cm de DAP (diâmetro à altura do peito) quando adultas. As taxas de crescimento das árvores da população do norte são em torno de 1 m3 ha-1 ano-1 a 2 m3 ha-1 ano-1. Árvores das populações do sul crescem de 9 m a 20 m de altura e 25 cm a 40 cm de DAP e a taxa de crescimento mais comum varia de 3 m3 ha-1 ano-1 a 6 m3 ha-1 ano-1.

A madeira de P. greggii apresenta coloração amarelo-pálida e aspecto pouco resinoso, densidade entre 0,45 g/cm-3 e 0,55 g/cm-3, podendo ser facilmente descascada e serrada. Isto representa um potencial para seu uso como peças sólidas. Devido ao número de ramos que produz, se não for devidamente manejada, ela tende a concentrar um grande número de nós na madeira, tornando-a de baixa qualidade para processamento industrial. O papel produzido com a madeira desta espécie apresenta maior resistência ao rasgo, ao estouro e à tração quando comparado ao de outras espécies, além de apresentar uma polpa de boa qualidade.

Em ensaios de campo, foi observado que as populações do sul apresentam crescimento mais rápido do que as do norte. Com base nessas observações e outros resultados, reconhecem-se, atualmente, duas variedades taxonômicas: P. greggii var. greggii, que ocorre na parte norte da área de distribuição natural da espécie, e P. greggii var. australis, que ocorre no sul.

O desempenho de P. greggii tem sido observado em ensaios de campo em vários países. Nestes, tem-se observado rápido crescimento em altura e diâmetro, potencial para adaptar-se em condições secas e à baixa temperatura. As procedências da região central do México têm maiores probabilidades de êxito no Sul do Brasil em relação às do Norte. Entre as particularidades desta espécie estão a resistência às geadas severas e a precocidade do florescimento. Desde o primeiro ano no campo, já podem ser observados primórdios de estróbilos femininos. Além disso, esta espécie tem grande potencial para geração de híbridos interespecíficos, visando à combinação de suas características favoráveis com as de outras espécies plantadas comercialmente na região.

Foto: Ananda Virginia de Aguiar

Figura 9. Cones e acículas de P. greggii.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 10. Povoamentos de P. greggii em Ponta Grossa, PR.

Pinus kesiya

Pinus kesiya é originário da Ásia. É uma espécie de clima tropical, com potencial para produção de madeira e resina. Ela engloba o grupo anteriormente chamado P. insularis, que ocorre na Ilha Mindoro, nas Filipinas, e os grupos chamados P. khasya P. yunnanensis de países do Sudeste Asiático, parte da China e Índia. Seu nome comum, no idioma inglês, é “Khasi Pine”, devido ao nome do local de sua origem. As árvores desta espécie atingem em torno de 45 m de altura e 100 cm de DAP. Suas populações ocorrem em ambientes de altitudes que variam de 300 m a 2.700 m, com precipitação pluviométrica média anual entre 700 mm e 1.800 mm, com longo período de deficiência hídrica. A temperatura média anual, em sua região de origem, é de 17 °C a 22 °C.

A madeira de P. kesiya é utilizada na fabricação de chapas de partículas aglomeradas (MDP), celulose e papel. A densidade básica da madeira é de 0,560 g/cm-3. A madeira é leve, fácil de ser trabalhada, de coloração amarelo-clara, muito suscetível ao ataque de cupins e fungos apodrecedores. Esta espécie tem potencial para produção de resina.

As árvores de P. kesiya apresentam tronco com casca grossa, de coloração marrom-escura e fissuras longitudinais. A partir dos dois anos de idade, seus ramos apresentam coloração marrom-avermelhada e se tornam robustos, tendendo a crescer no sentido horizontal. Suas acículas são agrupadas em três por fascículo, de 15 cm a 20 cm de comprimento e apresentam coloração verde-escura.

Em plantios comerciais não melhorados no Brasil, P. kesiya apresenta rápido crescimento, mas seu fuste tem forte tendência à forma cônica, geralmente, tortuoso e com muitos ramos que precisam ser removidos no manejo. Esta espécie tem grande perspectiva como produtora de madeira nos trópicos brasileiros, onde ocorre deficiência hídrica durante parte do ano, como na região dos Cerrados.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 11. Povoamentos de P. kesiya em Vilhena, RO.

Pinus maximinoi

Pinus maximinoi, antes conhecido como P. tenuifolia, atinge grandes dimensões, até 35 m de altura e 100 cm de DAP (diâmetro à altura do peito). As acículas, em cinco por fascículo, são finas, flexíveis e pendentes, com 15 cm a 28 cm de comprimento. Os cones são ovalados longos, com 5 cm a 8 cm de comprimento, assimétricos, marrom-avermelhados, com pedúnculos de 10 mm a 15 mm de comprimento. Sua madeira é resistente, com densidade maior do que a de P. patula (0,32 a 0,51 g/cm-3) e é considerada de alta qualidade, tanto para processamento mecânico quanto para produção de celulose e papel. Trata-se de uma espécie produtora de madeira de coloração clara. No Brasil, sua cultura ainda está na fase experimental, demonstrando alto incremento volumétrico e poderá ser uma alternativa estratégica como fonte de madeira nas regiões tropicais e subtropicais. Os materiais genéticos disponíveis para plantio ainda apresentam grande variação na forma e vigor. Porém, com trabalhos básicos de melhoramento genético, grande parte dos defeitos poderá ser eliminada rapidamente. Portanto, esta é mais uma espécie que figura como opção para a diversificação de espécies em plantios destinados à produção de madeira sólida.

P. maximinoi tem distribuição natural em uma série de populações disjuntas, estendendo-se desde a região central do México até a Nicarágua, em altitudes de 600 m a 2.400 m. É uma espécie tropical de rápido crescimento que expressa melhor desenvolvimento em ambiente subtropical, em altitudes entre 800 m e 1.500 m, com precipitação pluviométrica média anual entre 1.000 mm e 2.000 mm.

No Brasil, P. maximinoi pode ser plantado em toda a região tropical e subtropical. No entanto, em locais de baixa altitude, ele tende a apresentar alta incidência de fox-tail. Esta espécie tem demonstrado alto incremento volumétrico e fuste de boa forma na região do cerrado, no sul do Estado de São Paulo, em solo arenoso. Na região Sul, a cultura desta espécie é limitada devido à ocorrência de geadas severas.

Foto: Ananda Virginia de Aguiar

Figura 12. Cones de P. maximinoi.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 13. P. maximinoi aos 21 anos de idade, em Ventania, PR.

Pinus oocarpa

Pinus oocarpa é uma espécie produtora de madeira com tonalidade amarelada e cerne marrom-pálido, de dureza média e alta resistência física. Em sua região de origem, ela é usada, também, para extração de resina. Ela é originária do México e da América Central, com ampla dispersão no sentido norte-sul, estendendo-se desde o deserto de Sonora, no noroeste do México e ao sul pelas encostas da Sierra Madre Ocidental, e as montanhas da Guatemala, Belize, El Salvador e Honduras até o noroeste da Nicarágua. O clima nestas regiões é determinado por estações secas, com períodos de até seis meses com precipitações pluviométricas menores que 50 mm e temperatura média mensal de 26 ºC a 36 ºC.

Os cones de P. oocarpa são serôdios. Suas formas variam desde globosas a ovoides, com 6 cm a 10 cm de comprimento, de cor marrom-amarelada pálida a ocre e pedúnculos persistentes de 3 cm a 4 cm. As sementes têm 7 mm de comprimento, com asas de 10 mm a 15 mm. No Brasil, esta espécie é plantada para produção de madeira para processamento mecânico, na região dos planaltos tropicais. Sua madeira é moderadamente dura e resistente, de alta qualidade para usos em estruturas, construções civis, confecção de chapas e madeira reconstituída. Além de madeira, P. oocarpa produz resina em quantidade viável para extração em escala comercial. Esta espécie produz muitas sementes, facilitando a ampliação de suas áreas de reflorestamento. Ela não se adapta às regiões de baixa altitude ou planícies costeiras. Na região Amazônica, além de apresentar pouco desenvolvimento, é severamente atacada por doenças bacterianas nas acículas, levando-a à morte.

A variedade ochoterenai apresenta características semelhantes às da espécie, inclusive na distribuição geográfica, exceto que se estende para o norte somente até o sul do México. Seus cones não são serôdios como ocorre na espécie, de forma ovoide alongado, mas menores (5 cm a 8 cm de comprimento), de cor ocre-avermelhada, mais escura do que da espécie e pedúnculos pouco persistentes, de 1 cm a 2,5 cm. As sementes são ligeiramente menores e as asas ligeiramente mais longas do que as da espécie (6 mm de comprimento, com asas de 12 mm a 15 mm). No Brasil, apesar de não haver registro de plantios comerciais com esta variedade, ela pode estar presente na maioria dos povoamentos estabelecidos como P. oocarpa, visto que seu crescimento tende a ser maior e, assim, seletivamente favorecida em detrimento da espécie.

Na parte norte da área de ocorrência natural de P. oocarpa, o clima é caracterizado como temperado seco, com precipitação pluviométrica média anual de 500 mm a 1.000 mm. Na parte central, que inclui o Sul do México, Guatemala e El Salvador, a precipitação pluviométrica média anual varia de 1.500 mm a 2.000 mm e, em Belize, Honduras e Nicarágua, de 2.000 mm a 3.000 mm. P.oocarpa ocorre em altitudes desde 200 m até 2.500 m, mas o melhor desempenho se observa nas encostas bem drenadas, em regiões temperadas amenas a subtropicais, em altitudes em torno de 1.500 m e com precipitações pluviométricas médias anuais entre 1.500 mm e 2.000 mm. No Brasil, esta variedade pode ser plantada em toda a região do planalto tropical.

Pinus oocarpa var. ochoterenai ocorre, naturalmente, em regiões desde semiárida, com precipitação pluviométrica média anual de 800 mm, até tropical úmida, com precipitação pluviométrica média anual de 3.000 mm e altitudes variando de 500 m até 2.600 m, na faixa de latitudes de 14° N até 18° N. O melhor desenvolvimento desta variedade se observa entre as altitudes de 1.500 m a 2.500 m, com precipitação pluviométrica média anual de 1.600 mm.

P. oocarpa tolera geada moderada após a fase inicial de plantio e, por isso, tem sido recomendado para plantios numa ampla área do Brasil, que engloba todo o planalto, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A espécie tem apresentado bom desenvolvimento no Estado de São Paulo, bem como no Pará e Rio Grande do Sul. Deve-se evitar o seu plantio na região Amazônica, onde é mais susceptível às doenças de origem bacteriana.

Pinus palustris

Pinus palustris ocorre naturalmente nas planícies do sudeste dos Estados Unidos. Neste ecossistema ocorrem de um a cinco incêndios naturais por ano. Em condições naturais, as árvores desta espécie podem atingir 40 m de altura e 100 cm de DAP. Na época da colonização europeia, esta era a espécie mais explorada para produção de madeira e resina.

No Brasil, diferentes procedências de P. palustris foram testadas em 1970, nas regiões Sul e Sudeste. Mas, a sua produtividade foi muito baixa, além de requerer cuidados especiais nos primeiros anos após o plantio. O seu baixo desempenho inicial deve-se à dormência apical que se caracteriza pelo “estágio de grama” (Grass stage). Nos Estados Unidos, o estágio de grama pode durar até 12 anos e, no Brasil, de 5 a 6 anos. Durante esse período, a planta investe toda a sua energia no desenvolvimento do sistema radicular. Como não há crescimento apical nesse período, a parte aérea da planta apresenta a aparência de um “maço de capim”, o que dificulta os tratos culturais. As longas acículas conferem às plântulas resistência ao fogo, visto que ele não consegue atingir as gemas. Após esse período, inicia-se o crescimento apical da planta, com o alongamento do broto terminal. Nesta fase, observam-se muita variação no crescimento entre as árvores.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 14. P. palustris em estágio de grama.

P. palustris produz madeira de alta qualidade que constitui fonte de matéria-prima para a fabricação de dormentes, postes, painéis aglomerados, OSB, MDF, além de resina. A madeira é considerada de alta durabilidade, resistindo ao ataque de fungos e moluscos (resistência ao apodrecimento). Sua densidade básica é de 0,49 g/cm-3 e contém 4,17%, 28,50% e 67,33% de extrativos totais, lignina e holocelulose, respectivamente, e o poder calorífico é da ordem de 4.890 cal g-1.

Nos Estados Unidos, vêm sendo desenvolvidos projetos de conservação e recomposição das populações naturais de P. palustris, devido à vulnerabilidade dos ecossistemas onde esta ocorre. Um dos fatores de ameaça é o aumento na frequência e na severidade dos incêndios florestais. Apesar de o fogo ser um componente essencial para a restauração e a manutenção deste ambiente, ele é responsável pela morte de grande parte dos indivíduos juvenis e adultos. Além disso, a produção de sementes e a regeneração natural da espécie são baixas.

Pinus patula

Pinus patula é uma espécie facilmente identificada pelas acículas verde-pálidas, finas e pendentes. Em árvores maduras, a casca é espessa, com fissuras verticais profundas na parte baixa do tronco. Na parte mediana e superior, a casca é fina, marrom-avermelhada, escamosa e de cor vermelha-amarelada. Os cones são sésseis, extremamente persistentes, serôdios, cônicos, ligeiramente curvos, com 7 cm a 10 cm de comprimento, de cor marrom ou marrom-amarelada e lustrosos. Suas sementes são pequenas (aproximadamente 5 mm de comprimento, com asas marrom-pálidas de 17 mm de comprimento), podendo conter aproximadamente 115 mil sementes por kilo. Sua madeira tem grande utilidade para processamento mecânico e fabricação de papel e celulose. Na Serra da Mantiqueira, no sudeste de Minas Gerais e nordeste do Estado de São Paulo, bem como no oeste de Santa Catarina e na região das serras do Rio Grande do Sul, esta espécie apresenta produtividade de madeira maior do que P. taeda. Apesar de ocorrer, naturalmente, em região sujeita a baixas temperaturas, uma das limitações para o seu plantio no Brasil são as geadas severas, principalmente na fase de mudas.

P. patula ocorre no México, em regiões com altitudes entre 1.500 m a 3.100 m, ao longo da Sierra Madre Oriental, e apresenta o melhor desenvolvimento em solos úmidos e bem drenados, em locais com precipitação pluviométrica média anual entre 1.000 mm e 1.500 mm. No Brasil, o melhor desenvolvimento de P. patula se observa em regiões de grande altitude (900 m ou mais) como aqueles ocorridos na Serra da Mantiqueira, no nordeste do Estado de São Paulo e sudeste de Minas Gerais, sudoeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e nordeste do Rio Grande do Sul. O excesso de chuvas no inverno torna as plantas vulneráveis à geada, especialmente na fase de mudas, e ao ataque de fungos nas acículas e em ferimentos na casca. Em ambientes de baixa altitude e com temperaturas mais elevadas do que nessas regiões, esta espécie tende a produzir árvores de baixa qualidade, com grande número de ramos grossos e persistentes, além de baixo crescimento em altura. Nesses ambientes, esta espécie é altamente vulnerável ao ataque de lagartas do gênero Glena (Ordem Lepidoptera) que, em surtos, podem devorar totalmente as acículas. Outro problema, nesses locais, é a maior vulnerabilidade da espécie ao ataque de fungos que podem ser fatais. Em condições favoráveis ao seu desenvolvimento, P. patula apresenta crescimento em altura maior que P. elliottii ou P. taeda.

Genótipos de boa forma de fuste e ramos mais finos já têm sido desenvolvidos mediante melhoramento genético. Mesmo assim, ainda existem altas variações entre árvores em povoamentos que passaram por apenas uma geração de seleção.

Foto: Ananda Vírginia de Aguiar

Figura 15. Acículas finas, de coloração verde-clara e pendentes, características mais marcantes de P. patula.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 16. Cones de P. patula.

Pinus taeda

Pinus taeda é a mais importante dentre as espécies de pínus plantadas, comercialmente, no Sul e Sudeste dos Estados Unidos. Ela ocorre desde Delaware, no nordeste, até o Texas, no oeste e, ao sul, até a região central da Flórida. Essa área abrange ecossistemas desde a planície costeira Atlântica até os Montes Apalaches e, ao oeste, estende-se até o oeste do Rio Mississippi. A cobertura florestal com esta espécie, nos Estados Unidos, é estimada em 11,7 milhões de hectares.

No Brasil, P. taeda é a espécie mais plantada entre os pínus, abrangendo aproximadamente um milhão de hectares, no planalto da região Sul do Brasil, para a produção de celulose, papel, madeira serrada, chapas e madeira reconstituída. Esta espécie é plantada também em outros países para a produção de madeira destinada ao processamento industrial. Os plantios iniciais, feitos com sementes sem controle de qualidade (normalmente coletadas de povoamentos de baixa qualidade nas origens) resultavam em povoamentos com má qualidade de fuste e ramos, apesar do vigor e da alta produção de biomassa lenhosa. Atualmente, estão disponíveis no mercado sementes geneticamente melhoradas que permitem a formação de povoamentos comerciais de maior produtividade e melhor qualidade da madeira.

P. taeda coloniza facilmente áreas abertas, o que o caracteriza como uma espécie invasora. Esta característica predomina somente em situações onde há grande produção de sementes, ausência de predadores naturais de sementes e, principalmente, quando há luminosidade suficiente para o estabelecimento das plântulas e contato das sementes com o solo. Na ausência destas condições, essa espécie não consegue se estabelecer por ser dominada pelas espécies folhosas.

Em toda a região de ocorrência natural de P. taeda, o clima é úmido, temperado-ameno, com verões quentes e longos. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1.020 mm a 1.520 mm e o período livre de geadas varia de cinco meses na parte norte até dez meses, na parte costeira sul. As temperaturas médias anuais variam de 13 °C a 24 °C, podendo chegar à mínima extrema de -23 °C. No Brasil, esta espécie se desenvolve bem nas regiões com clima fresco e inverno frio, com disponibilidade constante de umidade durante o ano. Esta condição é encontrada em todo o planalto das regiões Sul e Sudeste.

Pinus taeda pode ser plantado no planalto das regiões Sul e Sudeste, em solo bem drenado, onde não haja deficiência hídrica. Isto inclui as partes serranas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, bem como o sul dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Com base nos testes de procedências, em várias regiões do Brasil, confirmou-se que as procedências da planície costeira da Carolina do Sul são mais produtivas e com melhor qualidade de fuste nas regiões Sul e Sudeste do País. Na serra gaúcha e no planalto catarinense, onde ocorrem invernos rigorosos, as procedências da Carolina do Norte tendem a ser mais produtivas.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 17. P. taeda - acículas finas, curtas e ralas, de coloração verde-amarelada a acinzentada.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 18. P. taeda – Cone séssil com espinhos proeminentes nas escamas.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 19. Povoamento de P. taeda formado com sementes sem melhoramento genético.

Foto: Ananda Virginia de Aguiar

Figura 20. Povoamento comercial de P. taeda formado com sementes melhoradas.

Pinus tecunumanii

Pinus tecunumanii pode atingir até 50 m de altura e DAP de até 120 cm. Seu tronco é reto e, geralmente, livre de ramos até 20 m a 30 m de altura. Sua madeira é de excelente qualidade, com densidade de 0,51 g/cm-3 a 0,56 g/cm-3, dura, mas não tão resinosa quanto a madeira de P.oocarpa. A casca, na parte basal, é espessa, com 2 cm a 4 cm e, dos 4 m para cima, torna-se fina, escamosa, de coloração marrom-avermelhada. As acículas são finas e flexíveis, de coloração verde-clara a verde-amarelada, com comprimento médio de 17 cm a 18 cm e em fascículos de cinco acículas, na maioria dos casos. Os cones têm, em média, 5 cm de comprimento e 2,5 cm a 3,5 cm de largura, de forma ovoide-alongada a cônica-alongada. Os pedúnculos são ligeiramente recurvados, não persistentes, com 0,5 cm a 1,5 cm de comprimento, que permanecem nos cones quando estes caem. As sementes são pequenas, com 4 mm a 6 mm de comprimento e 3 mm de largura, com asas de 9 mm de comprimento e 5 mm de largura.

No Brasil, P. tecunumanii é uma das espécies tropicais mais valorizadas pela alta produtividade e qualidade de sua madeira. Na região tropical brasileira, tem apresentado rápido crescimento, boa forma de fuste e baixa ocorrência de fox-tail. Porém, a sua disseminação não tem sido mais rápida devido à dificuldade de se produzir grande quantidade de sementes.

Na área de ocorrência natural de P. tecunumanii, que se estende desde o sul do México até a região central da Nicarágua, a precipitação pluviométrica média anual varia entre 1.200 mm e 2.000 mm e o melhor crescimento se observa nas encostas com solos férteis, profundos e bem drenados. Existe populações que ocorrem em altitudes de 450 m a 1.500 m e outro em altitudes de 1.500 m a 2.900 m. Nos locais de maior altitude, podem ocorrer geadas. As procedências de altitudes maiores que 1.500 m têm apresentado alta suscetibilidade à quebra de fuste pelo vento.

Na região central do Brasil, os materiais genéticos de maior crescimento são aqueles oriundos da parte meridional da sua área de distribuição natural, de altitudes em torno de 1.000 m. Testes de procedências e progênies no Estado de São Paulo indicaram as procedências de Honduras como altamente produtivas, enquanto que as da Nicarágua têm apresentado a melhor forma de fuste. A sua madeira apresenta características físicas mais homogêneas se comparadas com as demais espécies de pínus. Isto a torna de melhor qualidade para processamento mecânico. Entre os pontos fracos da espécie, pode ser destacada a baixa resistência às geadas, a alta suscetibilidade à quebra de fuste pelo vento e a baixa produção de sementes. Essas características são relativamente fáceis de serem corrigidas mediante seleção em favor de matrizes mais prolíficas e com menor propensão à quebra de fuste, combinada com plantios em ambientes sem geadas severas e mais favoráveis à sua reprodução.

A região recomendável para o plantio de Pinus tecunumanii no Brasil coincide com a de P. oocarpa. O ambiente ideal para o seu desenvolvimento é caracterizado por solos ácidos e argilo-arenosos, com pelo menos 40 cm de profundidade, boa drenagem e precipitação pluviométrica anual de pelo menos 1.000 mm.

Foto: Jarbas Yukio Shimizu

Figura 21. P. tecunumanii no Estado do Paraná.



Mercado

Engeflor

Engenharia Florestal
.